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Criatividade científica usa princípios da mecatrônica para facilitar acessibilidade social no mundo urbano

Alunos voluntários testam a eficiência do “Roboticeyes”. O equipamento é fixado nos tornozelos e indica ao portador de deficiência visual a rota a seguir sem obstáculos
by ALEX PIMENTEL

Quixadá. Quatro alunos da Escola Profissional Maria Cavalcante Costa acabam de criar um invento considerado genial pelos portadores de necessidades visuais que já tiveram a oportunidade de experimentá-lo. “Roboticeyes” é o nome do protótipo criado por eles. O aparelho eletromecânico funciona como uma espécie de guia, permitindo a quem não vê andar sem a ajuda de um cão ou de alguém para chegar de um lugar ao outro. Fixado ao tornozelo, emite uma vibração ao sair da rota, uma faixa preta de fácil adaptação nas calçadas das cidades.

Ronaldo Pereira Silva foi o primeiro portador de necessidade visual a utilizar o Roboticeyes. A experiência foi feita no Centro de Referência e Inclusão Social da Criança e do Adolescente (Crisca), em Quixadá. Ele ficou impressionado com a praticidade do invento. “É muito bom, porque auxilia a gente a andar no local certo e avisa quando sai fora do percurso. Mesmo sendo a minha primeira vez usando, achei muito melhor do que a bengala. Eu gostei muito. Eles têm minha aprovação”, completou, empolgado.

Na opinião da coordenadora pedagógica do Crisca, Madalena de Sousa, os estudantes são pesquisadores que se preocupam com as questões sociais pertinentes à inclusão das pessoas cegas em ambientes públicos. “Um projeto desse porte faz crescer não só o nosso Município, mas torna-o pioneiro na criação de um equipamento tecnológico que auxilia na conquista, independência e autonomia das pessoas cegas”. Para ela, o Roboticeyes traduz a luz para os olhos daqueles que não podem enxergar.

Segundo o professor de Informática, graduado em Mecatrônica, Leonardo Rocha Moreira, havia necessidade de estimular os alunos a desenvolverem na prática os ensinamentos teóricos na disciplina. Também era preciso adquirir mais conhecimentos em áreas das Ciências, como Física, Química, Matemática, buscando aperfeiçoar o conteúdo do Curso Técnico de Informática. Foi criado então o grupo Stone Botz, formado pelos alunos Kayk Lemos, Emanuel Oliveira, Davi Sousa e Sebastião Oliveira.

Logo eles passaram a desenvolver projetos robóticos baseados, em prática, de acordo com as necessidades da comunidade em geral. No início do grupo, o professor orientador ministrou aulas de eletrônica. Os alunos tiveram um embasamento maior para desenvolver os projetos. No princípio, criaram alguns projetos simples a fim de adquirir conhecimentos. Após alguns meses, o nível de “dificuldade” dos projetos foi aumentando, exigindo um maior aprofundamento nos estudos relacionados à área da robótica.

Os jovens cientistas utilizam ferramentas e componentes eletrônicos, que os auxiliam na construção de seus protótipos. O desenvolvimento dos projetos ocorre com reuniões do grupo, decidindo e estudando as melhores formas e meios para criação dos inventos. O desenvolvimento prático, com utilização das ferramentas e componentes, ocorre nos laboratórios da escola profissional, no qual o grupo faz pesquisas sobre outros projetos e sobre descrições dos componentes eletrônicos, a fim de ter uma base no desenvolvimento do próprio invento.

Robô rastreador

O professor explica ainda que o grupo teve a oportunidade de mostrar seus trabalhos na feira de ciências da Escola Profissional. Na ocasião, eles apresentaram os dois principais projetos: em princípio um robô rastreador que tem como principal objetivo participar de competições a níveis regionais e nacionais, nas categorias relacionadas ao projeto e logo após veio o novo projeto, o “Roboticeyes” cuja tradução é “olhos robóticos”. Este projeto se dá em uma aplicação prática do robô anterior a este. O Roboticeyes se resume em um dispositivo eletrônico que servirá como apoio ao deficiente visual em sua locomoção diária. Foi de Sebastião Oliveira a ideia de criar o sensor robotizado. Dividindo com os amigos os elogios ao invento, ele explicou que o desafio surgiu com uma proposta da esposa de um irmão. Ela trabalha com portadores de necessidades especiais no Crisca. Desafiou o estudante a criar algum mecanismo de auxílio a quem não vê. Apropriando-se dos conhecimentos em mecatrônica, juntamente com os colegas de equipe, ele criou a primeira peça, bem maior do que a atual. Com algumas adaptações e uma fita de velcro usaram os próprios tornozelos para testar o invento.

Sebastião e os colegas reconhecem o invento como futurista. Haverá necessidade de demarcar os quarteirões com as faixas pretas para que o aparelho tenha funcionalidade. Todavia, dependendo do interesse dos governantes pela ampliação das políticas de inclusão e acessibilidade, em breve o Roboticeyes estará sendo utilizado nas ruas. Por esse motivo, já estão patenteando a invenção. Eles e o professor garantem que o preço será acessível a todos. Os governos Estaduais e Federal poderão subsidiar os custos.

Quem quiser experimentar o Roboticeyes, o aparelho estará em exposição na IV Feira Estadual de Ciências e Cultura até amanhã, no Hotel Praia Centro, em Fortaleza.

Vantagens

“Além da informática, a robótica e a mecatrônica são cada vez mais usadas”
Leonardo Rocha Moreira
Técnico em Informática

“É gratificante saber que contribuimos para a qualidade de vida das pessoas”
Sebastião Carlos de Sousa
Estudante

“Para boas ideias, precisamos de conhecimento e observação do mundo em volta”
Davi de Oliveira Sousa
Estudante

MAIS INFORMAÇÕES
Escola Profissional de Quixadá
Região do Sertão Central
Telefone: (88) 3412.3118
eliceuqx@eliceuqx.seduc.ce.gov.br

Fonte: Jornal O Diário do Nordeste 10/12/2010 – www.odiariodonordeste.com.br