Artigo – Todos na (mesma) escola

Gustavo Mauricio Estevão de Azevedo[1]

gustavoestevao@uol.com.br

José Rogério Arruda da Silva[2]

jrogerioarruda@gmail.com

RESUMO

Neste artigo trazemos uma reflexão sobre a inclusão dos estudantes ditos com necessidades especiais na rede federal de educação profissional e tecnológica, partindo da experiência obtida com a implantação de um núcleo acadêmico no campus Recife do Ifpe, vinculada a uma ação de âmbito nacional do MEC, por meio da Setec, denominada TEC NEP.

Portanto, no texto propomos que os resultados obtidos comprovam que é possível desenvolver uma política educacional favorável à implantação da educação inclusiva, superando preconceitos e possibilitando sua disseminação e desenvolvimento no âmbito dos Institutos Federais de Educação Profissional e Tecnológica.

Palavras-chave: Sociedade inclusiva. Educação inclusiva. Tecnologias assistivas.

CONSIDERAÇÕES INICIAIS

Na condição de educadores, caminhada iniciada ainda na década de 1980, com intensiva atuação, devemos confessar que nossa descoberta sobre o debate relacionado à educação inclusiva, só teve início há poucos anos.

Mas, verdade seja dita que sempre existiu, entre as nossas preocupações de educadores, a problematização do vigente modelo educacional, principalmente quanto à educação pública, que mais tende a excluir e segregar alunos do que a incluir e ser democrática.

Isso é facilmente comprovado quando são levantados os tímidos resultados quanto à consolidação do direito à educação, em todos os seus níveis, e mais ainda quando avaliamos a presença de alunos com necessidades educacionais especiais[3] nas escolas, dados reveladores de que estamos muito distantes da educação como um direito fundamental de todos os cidadãos.

Confessamos que passamos um bom tempo de nossa prática docente educacional sem despertar para a invisibilidade de um grupo de alunos, sem refletir sobre a individualidade de nossos alunos, sem reconhecer, enfim, a plenitude das possibilidades da diversidade humana, tendo apenas como visíveis os ditos “alunos normais” e, consequentemente, determinando como “invisíveis” os chamados pejorativamente pela sociedade por várias denominações tais como excepcionais, especiais, deficientes, diferentes etc.

Hoje, somando aos nossos sentimentos de democratizar a educação, junto com a nossa atuação como membros ativos do Núcleo de Atendimento aos Alunos com Necessidades Educacionais Especiais – Napne[4] do Ifpe, é possível dizer o quanto incorporamos, e de forma radical, que a condição de ser aluno, de frequentar uma sala de aula, é um direito de todos. Isso significa, obrigatoriamente, respeitar as mais diversas possibilidades da individualidade humana, e mais ainda as apresentadas na condição de aluno.

A educação para todos exige de nós educadores uma profunda reflexão sobre a dialética da exclusão x inclusão no ambiente da escola, e também o seu significado na sociedade.

Com isso dizemos que o acontecido na sala de aula, tanto seja a exclusão ou a inclusão de alunos, ocorre por direta repercussão do que possamos construir como um novo modelo de sociedade.

O ALUNO COM NECESSIDADES EDUCACIONAIS ESPECIAIS

Numa escola pública – bem que poderia ser também numa escola privada –, lá estão juntos Pedro e José na mesma sala de aula do primeiro ano do ensino fundamental. O primeiro é surdo e o segundo, cego, ambos ansiosos por iniciarem suas atividades escolares. Mas, na ocasião das matrículas, efetivadas por suas respectivas mães, nenhuma menção fora feita à escola acerca dessas condições individuais dos alunos. Muito pelo contrário, o desejo era esconder essas especificidades, pois as mães achavam que somente assim eles seriam matriculados sem maiores questionamentos.

Naquele dia inaugural de aulas, a primeira reação dos professores e dos coordenadores da escola foi indagar: Como acolher esses alunos? Como ensinar o mesmo conteúdo para eles? Como fazer uso do material didático entregue pelo governo? Será que seria possível mantê-los matriculados naquela escola?

Sem dúvida, são indagações pertinentes, a partir do cenário descrito com a fictícia narrativa de Pedro e José, pois este cenário vem acontecendo cada vez mais e exigindo dos educadores, em todos os níveis da educação, uma devida reflexão.

A estória, pois o aqui narrado é pura ficção, bem que poderia ser uma história real e vivenciada em várias salas de aula desse nosso país continental, tanto no ensino fundamental ou até em uma pós-graduação, como também poderia envolver outros personagens/alunos do tipo lesionados cerebrais, com baixa visão e deficiência auditiva, disléxicos, com deficiência intelectual, com transtornos, cadeirantes, muletantes, enfim, uma lista bem mais ampla com todas as possibilidades que envolvem a individualidade humana.

Diante de tais possibilidades, passamos a melhor entender uma premissa básica para qualquer educador: a necessidade de despertar para algumas indagações/preocupações, tais como aquelas oriundas da estória de Pedro e José: Estão as escolas pensando e agindo em torno do objetivo de ser para todos? As escolas buscam adequarem-se às necessidades educacionais especiais de seus alunos?

No tocante ao respeito e ao atendimento às diferenças dos alunos com necessidades educacionais especiais, buscando criar condições de igualdade no acesso e permanência, vale lembrar o que diz a Lei de Diretrizes e Bases – LDB da educação nacional:

Artigo 59. Os sistemas de ensino assegurarão aos educandos com necessidades especiais: I – currículos, métodos, técnicas, recursos educativos e organização específica, para atender às suas necessidades. (Lei Federal n. 9.394/1996.)

Como podem então as instituições de ensino promover essas adequações? Entendendo, como dito anteriormente, que adequações são essas a promover igualdade de condições no acesso/permanência desses alunos.

Cabe dizer que a condição de igualdade surge aqui como regra de equilíbrio entre as pessoas. A igualdade é afirmada no plano da dignidade humana e está intimamente vinculada ao Estado de direito democrático. É evidente que os seres humanos não são iguais, ou seja, quanto às suas desenvolvidas capacidades físicas, quanto às desenvolvidas qualidades educacionais e morais. Nós seres humanos somos fundamentalmente iguais pela nossa origem e pelo nosso destino. Somos todos iguais na nossa natureza humana. Somos todos chamados de pessoas.

O que pode parecer um paradoxo é na verdade um complemento ao entendimento da condição humana de igualdade, ou seja, devemos reconhecer que os seres humanos constroem histórias de vida diferentes, possuem características pessoais diferentes, enfim, cada um é diferente do outro. Isso ocorre por conta da individualidade humana.

No universo jurídico são estabelecidas várias diferenciações legais para indivíduos ou grupos de indivíduos com necessidades especiais, aos quais é conferida uma proteção especial tutelada pelo Estado, como, a título de exemplo, o caso dos idosos, das crianças, dos adolescentes e também, que é o foco das nossas preocupações, o das pessoas portadoras de deficiência[5].

AS ADEQUAÇÕES E AS AJUDAS TÉCNICAS NA ESCOLA

Pela Resolução 37/52 da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas – ONU, reunida em 3 de dezembro de 1982, foi aprovado o World Programme of Action Concerning Disabled Persons – Programa de Ação Mundial para as Pessoas com Deficiência. Este programa propunha “promover medidas eficazes para a prevenção da deficiência e para a reabilitação e a realização dos objetivos de igualdade e de participação plena das pessoas com deficiências na vida social e no desenvolvimento”.

Na edição brasileira desse programa, traduzida por Thereza Christina F. Stummer, em setembro de 1982, no item das definições, afirma-se que:

A igualdade de oportunidades é o processo mediante o qual o sistema geral da sociedade – o meio físico e cultural, a habitação, o transporte, os serviços sociais e de saúde, as oportunidades de educação e de trabalho, a vida cultural e social, inclusive as instalações esportivas e de lazer – torna-se acessível a todos.

Segundo a autora, para se alcançar os objetivos de igualdade e participação plena, não bastam medidas de reabilitação voltadas para o indivíduo com deficiência. A experiência tem demonstrado que, em grande medida, é o meio que determina o efeito de uma deficiência ou de uma incapacidade sobre a vida cotidiana da pessoa. A pessoa vê-se relegada à invalidez quando lhe são negadas as oportunidades de que dispõe, em geral, a partir da própria comunidade em que vive, e que são necessárias aos aspectos fundamentais da vida, inclusive a vida familiar, a educação, o trabalho, a habitação, a segurança econômica e pessoal, a participação em grupos sociais e políticos, as atividades religiosas, os relacionamentos afetivos e sexuais, o acesso às instalações públicas, a liberdade de movimentação e o estilo geral da vida diária.

Na grande maioria das vezes, a sociedade cuida tão-somente das pessoas que estão em plena posse de todas as suas faculdades físicas e mentais. A sociedade deve reconhecer que, por mais esforços que se façam em matéria de prevenção, sempre haverá um número de pessoas com limitações funcionais, devendo-se identificar e eliminar os obstáculos à participação plena dessas e de quaisquer pessoas.

Todos os governos devem procurar fazer com que todos os benefícios obtidos graças aos programas de desenvolvimento cheguem também aos cidadãos ditos com deficiência. No processo de planejamento geral e na estrutura administrativa de todas as sociedades deveriam ser incorporadas medidas nesse sentido. Os serviços especiais de que podem necessitar essas pessoas deveriam ser parte dos serviços gerais de um país.

Finaliza Thereza Christina dizendo que o que foi dito anteriormente não se aplica somente aos governos. Todos aqueles que têm a seu cargo algum tipo de empresa devem torná-la acessível. A acessibilidade, portanto, deve ser buscada por entidades públicas de diversos níveis, organismos não-governamentais, empresas e indivíduos, sendo aplicável também no nível internacional.

O princípio da igualdade de direitos entre pessoas com e sem deficiência significa que as necessidades de todos os indivíduos são de igual importância e devem constituir a base do planejamento social, e todos os recursos devem ser empregados de forma a garantir uma oportunidade igual de participação a cada indivíduo. Todas as políticas públicas devem assegurar o acesso das pessoas com deficiência a todos os serviços e ambientes públicos.

Consequentemente, devemos também considerar que a educação deve ser parte dessas adequações. Deve-se buscar na organização escolar a adoção de práticas pedagógicas que façam uso das chamadas ajudas técnicas, objetivando o atendimento especializado tal como preconizado em nossa Constituição Federal[6].

As ajudas técnicas[7], também chamadas de adaptações[8], tecnologias de apoio[9] ou tecnologias assistivas[10], são todas aquelas desenvolvidas para permitir o aumento da autonomia e independência de idosos e de pessoas com deficiência em suas atividades domésticas, ocupacionais e de vida.

Em nossa experiência recente à frente do Napne do Ifpe, campus Recife, prestando o atendimento especializado aos alunos com necessidades educacionais especiais, descobrimos que o uso das ajudas técnicas passou a ser um diferencial importante na adequação do ambiente escolar. Citemos como exemplo o ocorrido com a experiência dos exames vestibulares de acesso aos cursos técnicos e tecnológicos, em que adotamos: oferta de intérprete de língua brasileira de sinais – libras para candidatos surdos, apoiando-os na leitura textual das provas; oferta de provas na escrita em Braille, para candidatos cegos; oferta de provas digitalizadas, em computadores com sintetizadores de voz, por meio do software DOSVOX, aos candidatos cegos que não dominavam o Braille ou fizessem essa opção, mesmo dominando a escrita em Braille; oferta de tempo adicional ao tempo regular, de uma hora e meia, para a resolução das provas aos candidatos com necessidades especiais; escolha, para os candidatos com necessidades especiais (deficiência física), de um prédio único para a realização de suas provas, de forma a assegurar condições de acessibilidade de acordo com a NBR 9.050 (2004) da ABNT[11], garantindo rampas, elevadores, piso tátil, corrimões em escadas, estacionamento reservado, entre outros padrões técnicos e arquitetônicos; oferta, deste a elaboração dos editais, de esclarecimentos quanto ao direito ao tratamento especializado aos candidatos com necessidades especiais, contendo cláusulas específicas que detalhavam ao máximo os tipos de tratamentos especializados que possuem como direitos já assegurados em lei vigente; acompanhamento, desde a inscrição, do candidato que requeresse atendimento às suas necessidades especiais, avaliando-se os recursos e materiais que deveriam ser disponibilizados no concurso vestibular.

Por sua vez, tendo como referência ainda a NBR 9.050 (2004) da ABNT, há o desenho universal, que vem a ser aquele que visa atender à maior gama de variações possíveis das características antropométricas[12] e sensoriais da população.

São pressupostos do desenho universal:

1.   Equiparação nas possibilidades de uso: o design dos equipamentos e produtos deve ser útil e comercializável às pessoas com habilidades diferenciadas.

2.   Flexibilidade no uso: o design dos equipamentos e produtos deve atender a uma ampla gama de indivíduos, preferências e habilidades.

3.   Uso simples e intuitivo: o uso do design dos equipamentos e produtos deve ser de fácil compreensão, independentemente de experiência, nível de formação, conhecimento do idioma ou da capacidade de concentração do usuário.

4.   Captação da informação: o design dos equipamentos e produtos deve comunicar eficazmente ao usuário as informações necessárias para sua utilização, independentemente da capacidade sensorial de cada indivíduo ou das condições ambientais.

5.   Tolerância ao erro: o design dos equipamentos e produtos deve minimizar o risco e as consequências adversas de ações involuntárias ou imprevistas.

6.   Mínimo esforço físico: o design dos equipamentos e produtos deve ser utilizado com um mínimo de esforço, de forma eficiente e confortável.

7.   Dimensão e espaço para uso e interação: o design dos equipamentos e produtos deve oferecer espaços e dimensões apropriados para interação, alcance, manipulação e uso, independentemente de tamanho, postura ou mobilidade do usuário.

Enfim, o desenho universal baseia-se no respeito à diversidade humana e na inclusão de todas as pessoas, não importando seu espectro de características psicofisiológicas, idade ou habilidades ou deficiências. O seu objetivo seria obter uma qualidade no desenho de ambientes e produtos que propiciasse, além dos requisitos estéticos, o fácil entendimento sobre o uso de ambientes e produtos, segurança e conforto para todos. Mas isso não significa conceber espaços especiais para pessoas especiais, mas, sim, dotar o espaço de uma qualidade que beneficie a todos.

Vale reproduzir o entendimento de que a inclusão nas escolas passa obrigatoriamente por torná-las acessíveis na perspectiva arquitetônica, conforme ensina Francisco Lima (2003), quando diz:

Inclusão (…) deve ser vista como a capacidade de a sociedade mudar-se para receber, entender, respeitar e atender às necessidades/peculiaridades de todos os seus membros, independentemente de diferenças sociais, econômicas, de gênero, origem (geográfica, étnica, linguística, religiosa etc.), ou de quaisquer outras diferenças de aparência (estética), de descapacidade (limitação sensorial, mental, cerebral e física) (…).

Vários são os itens de acessibilidade física que devemos buscar verificar numa escola, considerando o padrão técnico da NBR 9.050 da ABNT (2004):

A.    Área livre: também chamada de faixa livre, é a área do passeio, calçada, via ou rota destinada exclusivamente à circulação de pessoas;

B.    Área de transferência: é o espaço necessário para que uma pessoa cadeirante possa se posicionar próximo ao mobiliário para o qual necessita se transferir;

C.    Área de alcance: é a distância confortável necessária para o alcance manual frontal;

D.    Comunicação e sinalização: observam-se as comunicações acessíveis, sejam estas de ordem visual, tátil ou sonora; e, quanto à sinalização, os parâmetros de acessibilidade, sejam eles permanentes, direcionais, emergenciais ou temporários;

E.    Acesso e circulação: observam-se os diversos padrões quanto aos módulos de referência para acesso e circulação;

F.    Circulação interna: são observados os espaços internos de uma edificação, destinados à circulação de pessoas, com destaque para as rotas de fuga; ou seja, o trajeto contínuo, devidamente protegido, proporcionado por portas, corredores, antecâmaras, passagens externas, balcões, vestíbulos, escadas, rampas ou outros dispositivos de saída ou suas possíveis combinações, a serem percorridas pelas pessoas em caso de um incêndio, de qualquer ponto da edificação, até a via pública ou espaço externo já protegido do incêndio;

G.    Vagas para veículos: observam-se as condições de acessibilidade das vagas reservadas para pessoas com deficiência física;

H.    Sanitários: são verificados os sanitários e vestiários acessíveis, que devem obedecer aos parâmetros no que diz respeito à instalação de bacia, mictório, lavatório, boxe de chuveiro, acessórios e barras de apoio, além das áreas de circulação, transferência, aproximação e alcance;

I.    Auditório: observam-se as existências de locais reservados para pessoas em cadeira de rodas – PCR, pessoas com mobilidade reduzida – PMR e pessoas obesas – PO;

J.    Refeitório: verificam-se as condições de acessibilidade, principalmente para PCR;

K.    Locais de esporte: verifica-se a existência de locais adequados para PCR, PMR e PO praticarem esportes;

L.    Acessibilidade em geral na escola: observam-se parâmetros específicos de acessibilidade a um ambiente escolar, desde a entrada de alunos até as instalações da sala de aula e biblioteca.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A inclusão, para acontecer na sociedade e na escola, depende antes de tudo e necessariamente de mudança de valores e da vivência de um novo paradigma, que não se faz com simples recomendações técnicas, como se fossem receitas de bolo, mas com profundas reflexões. Por isso essa questão não é tão simples, pois devemos levar em conta as diferenças, presentes em todos os indivíduos que compõem uma instituição de ensino.

Fundamentais para que haja efetiva inclusão, falamos de mudanças que exigem o esforço de todos, para que a escola possa ser vista como um ambiente de construção de conhecimento, deixando de existir a discriminação por idade e capacidade. Para isso, a educação deverá ter um caráter amplo e complexo, favorecendo a construção de todos ao longo da vida, e todo aluno, independente das dificuldades, poderá beneficiar-se dos programas educacionais, desde que lhe sejam dadas as oportunidades adequadas para o desenvolvimento de suas potencialidades.

Se não oferecemos nenhuma proposta de inclusão que possa ser generalizada ou multiplicada, pois ainda são incipientes essas experiências na educação, no entanto, é de consenso que esse processo é de responsabilidade de toda a sociedade, portanto, é preciso que a escola esteja aberta para a “escuta”, favorecendo assim as trocas para a construção do processo de inclusão escolar.

BIBLIOGRAFIA

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS – ABNT, Norma NBR 9.050, 2004.

Censo IBGE, 2000.

_____. Constituição Federal do Brasil. 05 de outubro de 1988.

_____. LEI FEDERAL N. 10.098/2000. Estabelece normas gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida, e dá outras providências.

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO, SETEC, Programa TEC NEP, Brasília, 2002.

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO, Censo Escolar, 2004.

ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS, Programa de Ação Mundial para as Pessoas com Deficiência da Organização das Nações Unidas, Centro de Documentação e Informação do Portador de Deficiência, São Paulo, 1992.

Romeu Sassaki, Construindo uma sociedade inclusiva. 2004. WVA. Rio de Janeiro.

_____. LDB – Lei das Diretrizes e Bases da Educação Nacional N. 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Brasília, MEC/Setec, 1997.

Notas


[1]Gustavo Maurício Estevão de Azevedo é técnico em segurança do trabalho pela Escola Técnica Federal de Pernambuco – ETFPE. Graduado em ciência jurídica pela Universidade Católica de Pernambuco – Unicap, possui especialização em capacitação de docentes da Universidade Federal Rural de Pernambuco – UFRPE, além de ser mestre em gestão pública pela Universidade Federal de Pernambuco – UFPE. É coordenador do Núcleo de Apoio aos Alunos com Necessidades Educacionais do Instituto Federal de Pernambuco – Ifpe e gestor estadual do programa Educação, Tecnologia e Profissionalização para Pessoas com Necessidades Especiais – TEC NEP pelo Ministério da Educação – MEC/Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica – Setec.

[2]José Rogério Arruda da Silva é graduado e mestre em geografia pela UFPE e doutor em geografia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ, além de membro do Núcleo de Apoio aos Alunos com Necessidades Educacionais do Ifpe.

[3] Bem sabemos que o cenário é bastante adverso, pois, segundo o Censo Escolar 2004 do MEC, há 371.383 pessoas matriculadas em escolas especiais, sem contato com o público sem deficiência. Em contrapartida, são 163.984 pessoas com algum tipo de deficiência que frequentam turmas regulares – chamados pelo Censo de “incluídos”; ou seja, pessoas com deficiências físicas, visuais, auditivas e mentais que convivem na sala de aula com públicos sem deficiência. É bom lembrar que, de acordo com o Censo do IBGE de 2000, quase 14,5% dos brasileiros possuem algum tipo de deficiência – isso representa quase 26 milhões de brasileiros. Em nosso país, considerando apenas a população de sete a 14 anos, há ainda cerca de 2,8% de pessoas fora da escola, o que significa 739.413 crianças e adolescentes não atendidos pelo sistema de ensino. E mais: de cada cem alunos que ingressam no ensino fundamental, apenas 59 concluem a oitava série e somente quarenta chegam ao final do ensino médio, gerando índices de evasão e repetência de 19,5%.

[4] Para um melhor entendimento, cabe esclarecer o que seja o Napne enquanto ação do TEC NEP do MEC/Setec. O TEC NEP, sigla de Educação, Tecnologia e Profissionalização para Pessoas com Necessidades Educacionais Especiais, é uma ação institucional que visa à inserção, nos Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia – IF, do atendimento aos alunos com necessidades educacionais especiais nos cursos de nível básico, técnico e tecnológico, em parceria com os sistemas estaduais e municipais, bem como o segmento comunitário. No âmbito dos IF o TEC NEP é operacionalizado pelos Napne, que articulam pessoas, instituições e desenvolvem ações de implantação e implementação do TEC NEP no âmbito interno, envolvendo servidores (administrativos e docentes), discentes e pais. Os Núcleos têm como objetivo principal criar, na instituição, a cultura da educação para a convivência, aceitação da diversidade e, principalmente, buscando a quebra das barreiras arquitetônicas, educacionais e atitudinais.

[5] “Pessoas portadoras de deficiência” é a denominação mais frequentemente citada nas leis brasileiras, quando estas se referem às pessoas com necessidades especiais decorrentes de alguma deficiência. Aliás, conforme ensina Sassaki (2004), aquela não é a melhor denominação e sim a mais usada na redação das normas legais. Vale também ressaltar que, no âmbito educacional, constam como pessoas com necessidades especiais os superdotados,também chamados de pessoas com altas habilidades.

[6] Em nossa Constituição Federal (1988), consta o seguinte enunciado: “TÍTULO VIII – DA ORDEM SOCIAL, CAPÍTULO III – Da Educação, Da Cultura e Do Desporto, SEÇÃO I – Da Educação, Artigo 208 – O dever do Estado com a educação será efetivado mediante a garantia de: (…) III – atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino (…)”.

[7] O termo “ajudas técnicas” é de uso corrente na legislação brasileira.

[8] O termo “adaptações” é muito utilizado no âmbito da terapia ocupacional, na promoção de recursos que facilitam a realização de atividades de vida diárias – AVD.

[9] O termo “tecnologia de apoio” é encontrado em alguns sítios de língua portuguesa, sendo a tradução de assistive technology.

[10] “Tecnologia assistiva” é o termo mais usado pela norma técnica NBR 9.050 da Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT.

[11] Vale salientar que NBR 9.050 complementa com requintes de detalhes a Lei Federal n. 10.098, de 20 de dezembro de 2000, que estabelece normas gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida e dá outras providências.

[12] Medidas antropométricas, também conhecidas como perímetros, são medidas que determinam os valores de circunferência de um segmento corporal perpendicular ao eixo longitudinal do mesmo segmento. Advêm de antropometria, ciência que trata das medidas físicas do corpo humano. A origem da antropometria remonta à Antiguidade, pois egípcios e gregos já observavam e estudavam a relação das diversas partes do corpo (Couto, 1995).

Fonte: Revista Nacional de Tecnologia Assistiva, Edição n. 1, 23/11/2009.

Disponível em: http://www.revistanacionalta.org.br/pagina.php?idA=9

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