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5o. Festival Internacional de Filmes sobre Deficiência

Com uma programação de filmes que fazem pensar e divertem, dando novas perspectivas à questão da deficiência, o Festival Assim Vivemos tem se constituído na maior celebração da inclusão cultural do Brasil.

 

Porto Alegre: 25 a 30 de Setembro

CINE BANCÁRIOS

Rua General Câmara 424

Centro 90010-230

Tel. [51] 3433-1204

 

Pelotas: 2 a 5 de Outubro

IFSUL – Instituto Federal Sul-Rio-grandense

Praça Vinte de Setembro 455

Centro 96015-360

Tel. [53] 2123-1000

 

Santa Cruz: 8 a 10 de Outubro

UNISC – Universidade de Santa Cruz do Sul [Auditório Central]

Av. Independência 2293

Bairro Universitário 96816-000

Tel. [51] 3717-7300

 

Confira a programação de Porto Alegre.

 

Dia/Hr 25 26 27 28 29 30
15 hs   Programa 2 Programa 4 Programa 5 Programa 7 Programa 4 Programa 6
17 hs Programa 3 Programa 2 Programa 1 Programa 6 Programa 3 Programa 2
18:30   Debate 1 Debate 2      
19 hs Programa 1     Programa 8 Programa 5 Programa 1

 

 

 

Debate 1: Síndrome de Down: trabalho e vida adulta

Debate 2: Educação Inclusiva

 

Debatedores:

Síndrome de Down: trabalho e vida adulta

Paulo Kroeff

Psicólogo. Psicoterapeuta. Doutor em Psicologia pela Universidad Autônoma de Madrid, Espanha. Professor do curso de Especialização em Terapia de Casal e Família da Clínica de Atendimento Psicológico da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Membro fundador da Sociedade Brasileira de Logoterapia. Atualmente, Presidente da Associação Brasileira de Logoterapia e Análise Existencial – ABLAE. Membro do Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência do Rio Grande do Sul – COEPEDE. 

 

Lúcio Carvalho

Coordenador-Geral da Inclusive – Revista Digital de Direitos Humanos, Cidadania e Inclusão Social. É pai do Rodrigo, que tem cinco anos de idade e síndrome de Down.

 

Ana Maria Machado da Costa

Auditora Fiscal do Trabalho, Coordenadora do Projeto Estadual de Inclusão de Pessoas com Deficiência no Mercado de Trabalho

 

Fernando Barbosa.

Fernando Moreira Barbosa tem 23 anos, cursou o ensino médio  no Colégio Americano, fez cursos de dança de salão, teatro e participou do filme “CROMOSSOMO 21” (a ser lançado). Participa de eventos como Mestre de Cerimonia. É vice-presidente da AFAD Porto Alegre (Associação de Familiares e Amigos do Down). Trabalha no Hospital Mãe de Deus.

 

 

Educação Inclusiva:

Ana Rosimeri Araujo da Cunha

Coordenadora da educação Especial na Prefeitura de Porto Alegre

 

Vivian Missaglia

Especialista em Educação Especial e Educação Inclusiva; Mestre em Pediatria; Assessora e Consultora em Transtornos Globais do Desenvolvimento/ Autismo; Professora universitária e Pesquisadora do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Psicopedagogia Diferencial (NEPPD)/UFAM; Membro do Comitê Estadual de Educação em Direitos Humanos (CEEDH-RS).

 

PROGRAMA 1 [81’]

Entre os Gigantes / Dir. Cory Tomascoff; EUA, 2009.23’

Incluindo Samuel / Dir. Dan Habib; EUA, 2008.58’

 

PROGRAMA 2 [84’]

Segure a minha mão / Dir. J. Parker, V. Paiva, R. Stocking, B. Moser; EUA, 2011.17’

Dias Felizes / Dir. Wai Mar Nyunt; Myanmar, 2007.13’

Cidade Down / Dir. Piotr Sliwowski, Marta Dzido; Polônia, 2010.54’

 

PROGRAMA 3 [77’]

Quando brilha um raio de luz / Dir. Shahriar Pourseyedian; Irã, 2010.19’

Sidecars / Dir. Ben Stamper; EUA, 2007.29’

Mais do que os olhos veem / Dir. Hap Kindem; Noruega, Reino Unido, Canadá, 2011.29’

 

PROGRAMA 4 [83’]

Linha Lateral / Dir. Ivan Bolotnikov; Russia, 2009.26’

De corpo e alma / Dir. Matthieu Bron; Moçambique, 2010.57’

PROGRAMA 5 [75’]

Aloha / Dir. Paula Maia dos Santos; Brasil, 2010.15’

Nika / Dir. Anna Belyankina; Russia, 2009.23’

Um outro olhar / Dir. Bruna Lavoura; Brasil, 2007.37’

 

PROGRAMA 6 [82’]

Um monte de coisas / Dir. Germinal Roaux; Suiça, 2004.28’

Dois Mundos / Dir. Thereza Jessouroun; Brasil, 2009.15’

Sonor – Sonoro / Dir. Levin Peter; Alemanha, 2010.37’

 

PROGRAMA 7 [74’]

Além da Luz / Dir. Ivy Goulart; Brasil, 2010.82’

 

PROGRAMA 8 – Sessão Especial [60’]

História do movimento político das pessoas com deficiência no Brasil // Dir. Aluízio Salles Jr.; Brasil, 2010. 60’

 

SINOPSES:

Entre os Gigantes / Dir. Cory Tomascoff; EUA, 2009. 23’

O filme conta a história de duas pessoas fascinantes, uma mulher chamada Tamara Morgan e uma menina chamada Raven De Sayles. Ambas usam equipamentos personalizados feitos pela Associação de Design Adaptado, organização sem fins lucrativos que fabrica equipamentos sob medida para crianças e adultos com deficiência, utilizando principalmente papelão. Tamara Morgan é uma mulher de vinte e três anos que vive em Nova York e tem Doença de Lobstein. Raven tem nove anos e vive em Staten Island. Sem movimentos nas duas pernas, Raven usa seus braços fortes para andar quando não está na sua cadeira de rodas. O filme faz o espectador pensar o que significa solucionar problemas, ser criativo e fazer diferença na sociedade, utilizando, para isso, materiais baratos e acessíveis.

 

Incluindo Samuel / Dir. Dan Habib; EUA, 2008. 58’

Antes de seu filho Samuel ter diagnosticada uma paralisia cerebral, o fotógrafo e jornalista Dan Habib raramente pensava sobre a inclusão de pessoas com deficiência. Agora ele pensa nisso todos os dias. Filmado e produzido durante quatro anos, o premiado documentário de Dan Habib é uma crônia dos esforços de sua família para incluir Samuel em todas as facetas de suas vidas. O filme é um retrato fiel das esperanças e lutas da família, assim como das experiências de outras quatro pessoas com deficiência e suas famílias. Incluindo Samuel é um filme pessoal feito com paixão, que captura as barreiras culturais e sistemáticas da inclusão.

 

Segure a minha mão / Dir. J. Parker, V. Paiva, R. Stocking, B. Moser; EUA, 2011. 17’

Segure minha mão explora o significado da diferença e da igualdade na vida de Eliza Schaaf, uma moça de 20 anos com Síndrome de Down. Tendo crescido com o princípio da inclusão, Eliza sempre for incluída com seus pares. Agora, alcançando uma educação superior, ela precisa encarar a rejeição por causa de sua deficiência. O filme coloca a questão crucial das pessoas com síndrome de Down que foram estimuladas na infância e incluídas na vida escolar: como ter autonomia na vida adulta.

 

Dias Felizes / Dir. Wai Mar Nyunt; Myanmar, 2007. 13’

Um retrato sincero e divertido da vizinha agitada, porém irrepreensível do diretor, Shoon Lei, de 13 anos, que tem uma deficiência física. Apenas Shoon Lei e seus pequenos amigos aparecem no filme, o que dá às crianças maior liberdade para mostrar como vivem e descrever a relação que têm com Shoon Lei.

 

Cidade Down / Dir. Piotr Sliwowski, Marta Dzido; Polônia, 2010. 54’

O documetário acompanha um ensaio fotográfico com jovens com Síndrome de Down, que com suas imaginações e apoio de um estilista e do fotógrafo, personificam personagens conhecidos do mundo pop e dos contos de fada. O local, acolhedor, revela, através das suas representações imaginárias, um mundo de sonhos e verdades sobre eles mesmos e sobre os desejos universais.

Quando brilha um raio de luz / Dir. Shahriar Pourseyedian; Irã, 2010. 19’

Mitra é uma moça com deficiência física severa de uma aldeia de natureza exuberante em Talesh, no Irã. Sua irmã, Jamileh, é surda. Aparentemente, o destino concedeu a elas aptidões complementares. Como resultado, as duas irmãs desenvolveram um relacionamento forte e intenso. A deficiência física de Mitra não a impediu de descobrir o talento para o desenho e de cultivar a alegria de viver.

 

Sidecars / Dir. Ben Stamper; EUA, 2007. 29’

Sidecars é um retrato de dois amigos, um jovem autista e uma moça com uma doença degenerativa física, ambos tentando se encontrar fora do contexto de seus diagnósticos através da arte.

 

Mais do que os olhos veem / Dir. Hap Kindem; Noruega, Reino Unido, Canadá, 2011. 29’

Anne-Mette Bredahl superou muitos obstáculos em sua impressionante vida. Ela enfrentou uma cegueira com 20 anos e aos 40 sobreviveu a uma doença rara que pode levar à morte. Ela foi a primeira pessoa cega na Dinamarca a ser formada em psicologia clínica. Não tendo esquiado antes de perder a visão, Anne-Mette se tornou uma campeã paraolímpica no biatlo e no esqui cross country. Ela chegou a ganhar uma competição estando grávida de 6 meses. Depois de treinar 10 meses seguidos, de ter uma doença grave e do nascimento de seu filho, ela ainda se qualificou para os jogos paraolímpicos de Vancouver, Canadá. Anne-Mette se superou na vida e no esporte. Sua abnegação e perseverança é fonte de inspiração para todos.

 

Linha Lateral / Dir. Ivan Bolotnikov; Russia, 2009. 26’

O filme conta a história de dois homens chechenos e dois russos que perderam suas pernas durante uma operação anti-terrorista na Chechênia. Os quatro passaram por situações de miséria e desespero. Mas com a ajuda dos familiares, a força de suas personalidades e por meio de treinamento esportivo, eles superam a dor física e as barreiras psicológicas. Eles fazem parte do time de futebol para amputados da Rússia e, juntos, ganham os campeonatos europeu e mundial.

 

De corpo e alma / Dir. Matthieu Bron; Moçambique, 2010. 57’

Victória, Mariana e Vasco são três jovens Moçambicanos com deficiências físicas que vivem no subúrbio da capital de Moçambique, Maputo. Victória transmite a auto-estima que recebeu da sua educação a outras mulheres com deficiência, organizando um desfile de moda; Mariana usa sua energia para criar amizades e ultrapassar as barreiras arquitetônicas urbanas; e Vasco ganha a vida concertando sapatos. Revelando os seus desafios físicos, psicológicos e emocionais, o filme explora o olhar que tem deles próprios e dos outros e as conseqüências destes olhares para suas vidas. Coloca questões universais sobre a aceitação de si próprio e sobre como encontrar o seu lugar na sociedade.

 

Aloha / Dir. Paula Maia dos Santos, Nildo Ferreira; Brasil, 2010. 15’

Do mar, a inspiração para a vida. Das ondas, o impulso para o prazer. Como os avanços tecnológicos acabaram com as barreiras entre surfistas com deficiência e sua paixão pelas ondas. O documentário Aloha convida o espectador a compartilhar um dia da vida desses personagens, que, com pranchas adaptadas, correm atrás da melhor onda. Aloha, uma história sobre surf, alma e ondas.

 

Nika / Dir. Anna Belyankina; Russia, 2009. 23’

Esta é a história de Verônica, uma bonita garota russa que passou a ter uma deficiência física aos 10 anos de idade. Hoje ela é conhecida na Russia por causa de seu papel no filme “Mermaid”, de 2007. Mas houve um tempo que sua vida estava em ruínas, quando um acidente de carro que lhe tirou as duas pernas pareceu ser o pior dia de sua vida.

 

Um outro olhar / Dir. Bruna Lavoura; Brasil, 2007. 37’

 

O filme documenta, por meio de entrevistas, a vida de anões e de pais que tiveram filhos com nanismo, fazendo uma análise sobre as questões que envolvem os portadores desta mutação genética. São discutidos temas como preconceito, discriminação, estigmas sociais, além das dificuldades e superações de pessoas que, mesmo fora dos padrões estéticos estabelecidos pela sociedade contemporânea, demonstraram que é possível ser feliz e viver em harmonia com as diferenças.

 

Um monte de coisas / Dir. Germinal Roaux; Suiça, 2004. 28’

Um filme simples e comovente sobre Thomas, um jovem de 26 anos com Síndrome de Down que trabalha como garçom em um restaurante suíço. Thomas conta sua história, fala sobre seus temores, seus amores e sonhos. Ele se preocupa em mostrar uma boa imagem das pessoas com Síndrome de Down. E realmente, com sua encantadora presença, conquista as pessoas à sua volta e os espectadores deste belo documentário, fotografado em preto e branco.

 

Dois Mundos / Dir. Thereza Jessouroun; Brasil, 2009. 15’

 Para os surdos, existem dois mundos: o mundo do silêncio e o mundo sonoro. Este filme é sobre a experiência com o mundo sonoro dos surdos que transitam entre os dois mundos.

 

Sonoro / Dir. Levin Peter; Alemanha, 2010. 37’

Sonoro nos conta sobre o encontro de um músico de cinema e uma professora de ballet, que é surda de nascença. Duas pessoas aparentemente com conflitos de percepção dos sons entram na esfera de uma jornada musical. Eles exploram espaços acústicos, experimentam com vários instrumentos e procuram novos sons. Suas experiências são interpretadas em improvisações musicais. Sonor convida o público a uma experiência em sua própria percepção de tons e sons, em um filme com fotografia em preto e branco, onde forma e conteúdo se integram harmonicamente.

 

Além da Luz / Dir. Ivy Goulart; Brasil, 2010. 82’

Além da Luz nos leva para o universo da deficiência visual através de sete cegos brasileiros. Em relatos otimistas, eles expõem suas dificuldades, alegrias, sonhos e emoções e mostram que o caminho para uma vida melhor é através da educação e da informação. A importância de Louis Braille nesse processo é fundamental e por isso o diretor também foi à França para contar a história do homem que inventou um sistema de escrita tátil que abriu as portas do conhecimento a todos aqueles que não enxergam.

 

História do movimento político das pessoas com deficiência no Brasil // Dir. Aluízio Salles Jr.; Brasil, 2010. 60’

O documentário conta a evolução da luta pelos direitos das pessoas com deficiência, a partir da organização das mobilizações sociais na década de 70 e elaboração de suas demandas, até conquistar o seu reconhecimento e assimilação pelo Estado brasileiro com vistas a garantir direitos de 25 milhões de pessoas. Uma parceria da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República com a Organização dos Estados Ibero-americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI).

Fonte: http://www.lavoroproducoes.com.br/festivais/assim-vivemos/edicao-2012/

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Pesquisa sobre deficiência intelectual receberá apoio da Fapesp e Apae-SP

Por Elton Alisson

Agência FAPESP – A FAPESP assinou, no dia 20 de agosto, um acordo de cooperação científica com a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de São Paulo (APAE-SP) para apoiar projetos de pesquisa sobre deficiência intelectual – caracterizada por limitações no funcionamento intelectual e do comportamento que são detectadas ao nascer ou durante a infância e a adolescência por meio de testes apropriados.

O acordo prevê a seleção de até quatro projetos em temas relacionados à deficiência intelectual – como genética e biologia molecular, cognição e desenvolvimento, imaginologia cerebral e neonatologia e triagem neonatal –, que serão desenvolvidos no Instituto APAE de São Paulo de Pesquisa e Formação.

Os projetos de pesquisa serão realizados no âmbito do Programa Jovens Pesquisadores em Centros Emergentes, lançado há 15 anos pela FAPESP para apoiar a criação de novas linhas de investigação e a formação de novos grupos de pesquisa em temas emergentes e ainda não suficientemente explorados por cientistas atuantes no Estado de São Paulo.

O programa, que já apoiou mais de 1,2 mil cientistas do Brasil e do exterior para realizar pesquisas em instituições no Estado de São Paulo, oferece o financiamento necessário para que o pesquisador desenvolva seu projeto.

De modo a selecionar os quatros pesquisadores, a FAPESP e a APAE-SP farão uma chamada de propostas e publicarão anúncio nas principais revistas científicas internacionais convidando pesquisadores de todo o mundo a inscrever projetos na área.

Os projetos inscritos serão submetidos à análise de propostas da FAPESP, que é baseada no mérito científico e utiliza revisores externos e análises de comitês científicos para embasar suas decisões.

As propostas aprovadas serão apreciadas por um comitê gestor, formado por representantes da FAPESP e da APAE-SP, que indicará os quatro projetos finalistas que iniciarão o programa de pesquisa.

“Este acordo científico entre a FAPESP e a APAE-SP possibilita colocar a ciência a serviço daqueles que necessitam que o conhecimento sobre a deficiência intelectual seja aprofundado e aprimorado”, disse Celso Lafer, presidente da FAPESP.

“O acordo também possibilita à FAPESP uma interação com o chamado terceiro setor em uma matéria de grande relevância na agenda social do nosso país, estado e município, que é a inclusão social, que permite o empowerment da cidadania, traduzido de modo mais preciso como dar as pessoas acesso pleno à vida e à cidadania”, disse Lafer.

Na avaliação de Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da FAPESP, o acordo também permite à Fundação realizar uma ação que a instituição tem se engajado intensamente nos últimos anos, que é a de criar uma conexão entre a atividade e aplicação da pesquisa.

Além disso, também possibilitará à FAPESP superar um de seus desafios, que é o de encontrar instituições no Estado de São Paulo onde os pesquisadores possam ser alocados para realizar suas pesquisas.

“Um dos desafios para a ciência e tecnologia no Estado de São Paulo é aumentar o número de pesquisadores e de instituições envolvidas com pesquisa”, disse Brito Cruz.

“A pesquisa hoje no Estado de São Paulo está muito concentrada em universidades e institutos de pesquisa, e é bom que ela ocorra mais perto do lugar onde é necessária. Isso sem nenhum demérito para a pesquisa universitária, que é muito importante. Mas ambas são essenciais”, disse.

Desafios científicos

Alguns dos principais desafios na pesquisa sobre deficiência intelectual no Brasil, apontados por especialistas presentes na cerimônia de assinatura do acordo, é conhecer melhor as causas e frequência da deficiência intelectual no país.

Mais associada a causas genéticas, como a síndrome de Down, a fenilcetonúria e o hipotireoidismo congênito, a deficiência intelectual tem diversos outros fatores pré, peri e pós-natais.

Alguns deles, como o uso de drogas, álcool e tabaco durante a gestação, são bastante prevalentes no Brasil. Entretanto, de acordo com os pesquisadores da área, as estatísticas sobre o número de pessoas com deficiência intelectual no país estão subestimadas.

“Não temos dados claros sobre qual o tamanho do problema da deficiência intelectual no Brasil”, disse Felipe Clemente dos Santos, membro do conselho de administração da APAE-SP e neto do médico Antonio dos Santos Clemente Filho, que fundou a APAE há 51 anos e faleceu no início de 2012.

“Uma das estatísticas indicam que 1,3% da população brasileira tem deficiência intelectual. Mas, quando comparamos esse número com outros países, é possível perceber que ele está altamente subestimado”, disse Clemente.

Outros desafios científicos na área são aprimorar os exames neurológicos neonatais para possibilitar detectar as causas da deficiência intelectual e tentar diminuir os efeitos deletérios de perda neuronal ou de alteração de circuitos no cérebro de pacientes com deficiência intelectual.

Além disso, segundo Esper Abrão Cavalheiro, professor titular do Departamento de Neurologia e Neurocirurgia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e presidente do Conselho Científico do Instituto Apae de São Paulo, também é preciso compreender melhor o processo de envelhecimento das pessoas com deficiência intelectual, que passaram a viver cada vez mais nas últimas décadas.

“Até o século passado se acreditava que as pessoas com deficiência intelectual morressem cedo, mas elas também se beneficiaram de todo o avanço que ocorreu na medicina nas últimas décadas e estão chegando hoje aos 50 ou 60 anos”, disse Cavalheiro à Agência FAPESP.

“É preciso saber se eles envelhecem e apresentam as mesmas doenças na velhice que as pessoas sem deficiência intelectual. Nós sabemos que eles possuem algumas particularidades, como ter mais obesidade e hipertensão. Porém, ainda não conhecemos exatamente quais as causas”, disse.

Cavalheiro também ressaltou que é preciso desenvolver políticas públicas voltadas para planejar a velhice das pessoas com deficiência intelectual e proporcionar os cuidados de que necessitam, dado que nesta fase é comum os pais ou parentes próximos que cuidavam deles já terem falecido ou estarem bastante idosos.

“Isso representa um problema social. O país precisa se preparar para proporcionar os cuidados de que essas pessoas necessitem e não realizar uma inclusão social apenas nominal, mas que de fato resulte em uma melhor qualidade de vida para as pessoas com deficiência intelectual”, afirmou.

O acordo de cooperação entre FAPESP e APAE-SP está disponível em: www.fapesp.br/7165.